quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

my way

À minha maneira eu conto-te tudo e sobre mim e desta forma vais sabendo o que sou.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Rastaman


Eram dois: o Long Black e o Lil Mulato.

Não percebi bem o que passou mas senti que tinham sido insultados da forma mais cruel e desumana. Que tinham sido despidos na via pública de toda a sua dignidade.

O seu pecado foi, serem diferentes: eram Rastas.

O Long Black era mais radical enquanto que o Lil Mulato era um guerreiro ponderado e justo.

Na guerra pela sobrevivência da diferença e porque os seus agressores agirampuramente por deleite, sem o mínimo de consideração pela dignidade da pessoa humana, LB e LM perderam a vontad de viver.

LB entrou para um carro um carro e teve um filho. Morreu aí.
LM pegou na criança e levantou-a ao Céu gritando. A criança desapareceu. Acho que o nome da criança era Esperança ou Resistência.

LM subiu pela fachada do prédio e parou no meu andar, olhando-me profundamente nos olhos.

NP dizia-me "não olhes para as tranças. Isso ofende-os."
Eu não sabia disso.

NP tinha umas tranças finas e compridas enquanto eu usava um afro.

NP gesticulou para LM com os dedos indicadores num movimento rodopiante, de cima para baixo, enquanto acenava afirmativamente com a cabeça, com quem dizia: Os teus dreadlocks são bonitos.

Eu estava com medo.

LM olhou para mim e eu disse: os meus ainda estão a nascer.

LM beijou-me a cabeça e saltou do oitavo andar, cainda em cima de um carro.

Não morreu, pôs-se de joelhos e desejou a morte. Enfim caiu.

Não morreu. Levantou os braços e voltou a desejar a morte.

LM foi levado pela multidão que levava o carro, tal hienas famintas a arrastarem a sua presa.

Quando ele saltou, ficou por instantes suspeno no ar, à minha frente, olhando para mim de esguelha para confirmar se conseguia ler o que estava tatuado nas costas dele.

Eu li sim mas ainda não encontrei resposta.

Apesar disso sei o que era.
Let us fight the power of opression together and sing sweet songs of glory.
Let us be together as one people and with the blessnig of all mighty Jah unite under His name.
Let us be as one in the long line of freedom fighters and as one defeat Babylon's evil warriors.
One love!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

o sangue é meu

O meu sangue é da cor do teu,
e tem um cheiro parecido com o do teu.

O meu sangue é da textura do teu,
tem um brilho igual ao do teu.

O meu sangue é igual ao teu,
tem um gosto próximo do teu.

O meu sangue é o meu sangue,
mas uma parte dele é teu.

O meu sangue é como é,
o teu também assim é.

O meu sangue é bom,
mas só porque leva do teu.

O meu sangue é sangue,
o meu sangue és tu.

Sangue meu que te dou,
sangue teu que me dás.

Nosso sangue é um,
nosso sangue é o mesmo.

Gosto do meu sangue,
assim como gosto do teu.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Jogoya by night e magia

No início estava inseguro e cheguei mesmo a sentir medo de ser ridicularizado. Ainda era eu ali e não a persona.




Senti que as pessoas julgavam-me e olhavam para mim de uma forma crítica e faziam juízos - acho que ninguem acreditava que fosse verdade.



Ainda no início da sessão senti que me era dada uma particular atenção: minúsculos relâmpagos seguidos cegavam-me, equanto eu ajeitava o sorriso.



A sessão continuou e eu ainda estava indefinido no meio da multidão: ainda era eu.



Bebi socialmente com a comunidade e reconheci pares bem dispostos. Já nos conheciamos na verdade mas foi surpreendente o reencontro.



A vida fluia e a musica soada era para permitir a miscegenação de almas.

O tempo passava e os ritmos misturamvam-se com cores; os odores abraçavam-se em orgias multi-étnicas e as palavras prendiam-se às paixões nactívagas.

A sessão começava a parecer-se com Jogoya by night. digamos mesmo que havia uma certa Jogoydade no ar.

As pessoas vibravam electrizadas pelo som da música e sorriam orgasmos de nostalgia.

A sessão fio mágica mas eu ainda procurava algo ali que a tornasse magicamente fantástica. Eu sabia o que era mas não sabia onde estava.

Finalmente o B. Mor apareceu com a sua magia e eu segui-o pela areia, arrastando os pés e sentindo já a persona aproximar-se.

Não sei com ose chama esta persona, ainda não descobri o seu nome mas sei que ela existe porquer ela esteve comigio naquela noite.


Sentei-me no chão. Sorri e fechei os olhos. Tinha um grande balão onde me enconstei.

B. Mor apresentou-me a magia. A magia negra do êxtase.

Conheci-a e deixei-me absorver por ela, pela sua energia, pela sua pureza, pelo seu simbolismo.

Gozei-a, contemplei-a.

Ainda com os olhos fechados vejo-me no meio de uma cardume vibrante de pessoas, vibrando ao som da sessão.

Descobri ali a persona. Descobri-me ali como persona.

Luzes, cores, reflexos, fumos, barulho, vibes, sorrisos, enfim: estavamos todos numa espécie de transe.

Nada mais ali importava. A sessão tornara-se magicamente fantástica e eu sentia cada segundo em pleno. Eu vivi cada instante ao extremo.

Jogoya by night e Magia.