Eles brinacavam de várias coisas. Um dia brincaram de acabar e acabaram discutindo de verdade. Ela disse que não era aquilo que ela queria: ter um namorado à sério. Agora era tarde porque ele já estava apaixonado por ela.
Estavam juntos há tanto tempo e nunca tinham feito amor. Ela confessou que no primeiro dia que se beijaram ela queria fazer amor com ele mas não o fez porque ele dava-lhe muito em que pensar.
Acho que ele não gostou de saber isso porque ele pensava em sexo vinte e quatro horas por dia. Pelo menos foi isso que ele disse. Ele queria fodê-la. Pera não foi isso que ele disse, ele disse: quero fazer sexo contigo.
Ele, na minha opinião, estava estratégicamente sem camisa. Ele, na minha opinião, queria mais que tudo fodê-la mas o máximo que conseguiu nesse dia foi um broche. Acho que apesar de ter gostado do broche ele não achou muita piada porque o que ele queria mesmo era fodê-la. Eu contentava-me com um broche. Eu adoro broches.
Os dias passaram-se e eles continuavam naquela: sem sexo. Não percebo porquê porque ambos queriam. Havia qualquer coisa nela que não permitia. Ela queria mas continha-se. Não percebi porquê. Ele era americano e ela mexicana. Eram ambos turistas, eternamente turistas.
Acho que foi numa pequena cidade mexicana a primeira vez que fizeram sexo. Estavam deitados numa cama velha, de um quarto velho de uma velha e pobre pensão. A cidade era poeirenta e quente. Sobre eles caia um mosquiteiro velho e gasto cuja cor começara já mudar para tons pastel.
O quarto estava quente e ambos estavam nus e transpirados. Até eu de longe senti no ar o cheiro da tesão deles. Que foda deve ter sido aquela. Depois de tanta repressão finalmente eles fizeram-no.
Antes da foda brincaram de marido e mulher ciganos. Acho que se tinham casado num cerimónia no quarto em que só estavam os dois. Ou terá aquela sido a lua de mel? Não interessa. Adiante!
-Posso tirar-te o véu?
-Só de fores meigo. Assim não!
-O que foi!?
-Foste bruto.
-Ai foste bruto.
-Detesto quando és assim?
-Assim como?
-Cínico e sarcástico!
-Cínico e sarcástico eu!? Eu sou sincero!
-Eu sou sincera.
E depois beijaram-se apaixonadamente e foram para a cama. Até dava para sentir o cheiro de tesão no ar, mesmo à distância...
E começaram...
Tens protecção?- perguntou ela?
Não.- respondeu ele.
Não pares.- disse ela
Pareciam turistas, fizeram-no o dia todo até doer. Não sairam do quarto, ele já nem queria tomar banho ou lavar-se. Disse ainda que as vezes tinha dúvidas se ela estava a beija-lo ou tocá-lo porque todo o corpo dela estava molhado e coberto de calor.
Ele disse ainda que o cheiro de sexo era tão e forte que por isso mesmo ele já não queria tomar banho. Depois curtiram o pôr do sol. Tinham saido do quarto para comprar água engarrafada. No México não se pode beber água. Essa podes porque é engarrafada.
Não sei bem como tudo acabou mas sei que perto do fim eles continuavam turistas, a fumar charros e beber cerveja e sumo e a foder todo o dia. Um dia ele saiu de casa inseguro. Ela percebeu e foi ter com ele à porta dizendo-lhe: amo-te.
Eles desceu as escadas tão feliz que nem sequer procurou um sítio para comprar cerveja. Acho que era domingo e por isso não havia muitos sítios abertos. Ele correu o mais que pôde. Não se preocupou mais com a cerveja ou o sumo. Correu apenas.
Correu pela cidade e encontrou um grupo de estranhos sentados numa esplanada a quem pagou
uma rodada. Ele estava feliz. Ela também. Acho que viveram felizes para sempre.
Ele e ela, no estado mais quente.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
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