A noite nasceu preguiçosa.
Também foi difícil escolher a camisa: tinha a certeza que era camisa mas não sabia que camisa vestir com uma calça de ganga e ténis brancos. Deixei então à escolha ao acaso e vesti mesmo a minha primeira impressão.
Demorei um pouco mas meti-me à caminho, do carro, na estrada, até chegar ao restaurante. Pensava na melhor desculpa para justificar o atraso. Não me ocorreu nada. Apenas vi que no carro que ia ao lado do meu, na estrada, era da pessoa com quem tinha combinado jantar. Acenei e sorri.
Sentados à mesa, via-me impaciente para saber que tipo de negócios ele queria tratar comigo. Estava farto daquela conversa-quebra-gelo. Porquê que ele não podia ir logo ao assunto para se tratar de negócios?
Depois de tudo saimos. Ele pagou a conta e fomos ao espaço eclético bem angolano. Entrei, subi as escadas e senti de imediato a vibe da música. (tum tss tum tss tum tss tum tss tum...)
A música falo comigo naquela noite. Ouvi as cenas da mana Sara, o refrão aulterado dos Buraka...
Falamos sobre viagens, sobre dinheiro, sobre putas, sobre sexo, sobre a vida... bebi duas cevejas e deixe-me ir. (tss tum tss tum tss tum...)
Apareceu Bruno, sujeito magro, enfezadito mas bem falante. Falou me da demolição da obra. Da raiva que isso lhe provoca, da falta de respeito pela cultura, de ito e de aquilo. Ouvi o que ele disse de manifestei desinteressadamente a miha opinião.
- O espírito Elinga vai morrer.
-A obra more mas o espírito continuas - disse eu.
-A obra é o espírito.
Falei com a Soul Sista sobre isso. Ela concorda. a Obra é o espirito. Eu discordo. O espírito Elinga transcede a obra. A obra é um marco mas não o espírito.
O espírito Elinga está nas pessoas, está na raça Elinga e não na obra. A obra é apenas um símbolo desse espírito.
Elinga, não morras por causa da obra.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
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1 comentário:
morre parte do espírito do Elinga, porque com o edifício morre a estória que aqueles alicerces suportaram e testemunharam; despedaçam-se os segredos que aquelas paredes entranharam, ao longo de todos estes anos; estala-se um ciclo. é como quererem clonar um espírito (que pode permanecer imaculado) numa casca nova (tal um ovo na eminência de eclodir...)
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